Meu amor, se um dia você ler as cartas do meu coração - eu as escrevo em sonhos também - não terás um respingo de dúvida: eu lhe amo.
Quem me dera não escrevê-las, abandoná-las ao vento. Nunca ditas e também nunca escritas... Elas não poderiam ter melhor sorte! Sorte por não estarem em meus lábios ou escorrendo pelas minhas mãos... Essas palavras, meu amor, não merece o destino que sou eu. Não merecem que eu as diga ou que estejam em papéis assinados com meu nome.
Essas palavras, ao menos, merecem os seus ouvidos. Merecem descer-te até o coração. Tocá-lo. Porque elas só precisam disso: saber que o destino é você, não eu. Eu sou meio. Porque tu, meu querido amor, merece ouvi-las! O meio para chegarem ao seu íntimo pouco importa! Se fui eu, em minhas mazelas, escolhida para organizar essas letras em fileiras espaçadas para demonstrar amor ao seu ser, que eu as diga e depois morra... Não morte física, mas até que elas cheguem onde deveriam chegar: no vazio escuro que tornamo-nos neste amor, que singelamente declarei outro dia mesmo... No seu frio coração.
Eu nunca disse-as porque nunca estiveram tão eminentes assim... Sufocadas estão, perdê-las vou...
Perdão por eu ser eu.
(Comecei dia 28/12/2022)